Alguma Poesia: Poema de sete faces – Carlos Drummond de Andrade, (1930)

Alguma Poesia: Poema de sete faces

Carlos Drummond de Andrade, 1930

 

 

 

Drummond dizia:

 

 

– “Mundo, mundo, vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo seria uma rima e não uma solução. ”

 

 

Ele está incorporando aí o que a gente entende pelo discurso “jocoso-sério”, ao mesmo tempo que ele está brincando com seus versos, ele está enfatizando algo muito mais sério.

 

Logo, podemos pensar sobre a solução do sujeito, não necessariamente a solução da vida, mas a salvação da humanidade através da poesia. Com certeza Drummond é muito sensível a isso e talvez, seja o maior poeta brasileiro, certamente um dos maiores escritores da língua portuguesa, por não dizer da Literatura Universal.

 

Drummond é dono de uma obra multifacetada que é maravilhosa, e logo podemos refletir sobre o seu primeiro poema: “Poema de sete faces, inserido no seu primeiro livro:

 

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“Alguma Poesia”, um clássico para entender a linguagem dos sentimentos. E a partir de Drummond podemos embarcar em um mundo fantástico dos sonhos e da imaginação, nos mostra um mundo em que podemos entender melhor o sentido das coisas e refletir com simplicidade.

 

Drummond projeta seus versos no mundo e promove a sua própria organização, muitas vezes a gente não consegue entender suas obras com clareza devido a sua simplicidade, mas há uma beleza incomoda na sua linguagem.

 

No meio de tanto liberdade, talvez, exista um traço que vale a pena destacar por ser uma característica que permanece durante toda a sua obra, é uma dicção ao mesmo tempo leve, brincalhona, paradoxalmente, grave, séria, e dramática, e podemos chamar isso de “discurso jocoso-sério”, isto é, por exemplo, ele diz:

 

 

“Vamos não chores,

O primeiro amor passou,

O segundo amor passou,

O terceiro amor passou,

Mas o coração continua…”

 

 

Drummond promovia o seu jeito leve e brincalhão para abordar assuntos sérios e incômodos. No entanto, podemos traçar um paralelo com outros escritores na literatura brasileira, como por exemplo, Machado de Assis.

 

Sem dúvida nenhuma, Machado de Assis, é um dos mestres deste estilo, como por exemplo, no seu primeiro romance: “A Ressurreição” – ainda no romantismo – há uma frase que ficou celebre, pois ele disse:

 

– “A vida é uma ópera bufa com intervalos de música séria. ”

 

Ou seja, a vida é uma ópera cômica com pequenos momentos de música séria. E isto é muito bonito neste mundo estressante, pois caracteriza o estilo de Drummond. Claro, ainda que vejamos muitas diferenças entre os dois escritores, Machado de Assis, um grande prosador e Drummond, sobretudo, um grande poeta, ambos praticam esse estilo “Jocoso-sério” que traz, também, para o leitor, uma certa dificuldade em não saber para onde ir.

 

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A gente não sabe se rir ou se chora.

 

Talvez, a reação ambígua destes autores seja justamente provocar e causar um efeito reflexivo. Um vasto acervo literário deixado por esses escritores, e depois de lê-os, com mais calma e com mais tempo, e outras vezes, podemos acreditar que a seriedade prevaleça, isto é, no caso de Drummond, ele é sério, mas quando brinca conosco com seus famosos: “poemas-piadas” nos causa incomodo.

 

Nossa cultura é caracterizada por grandes intervenções e talvez nossos grandes gênios, Drummond e Machado expressam suas obras de maneira inusitada explorando as várias potencialidades do discurso “jocoso-sério”, para enfim exprimir as contradições, não só das nossas vidas, mas também da vida da sociedade.

 

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